O processo eleitoral americano dura quase um ano. Na primeira etapa, chamada de primárias, são escolhidos os candidatos que irão disputar a Casa Branca pelos partidos democrata e republicano. Nas eleições de 2016, as primárias começam oficialmente em 1° de fevereiro, no estado de Iowa, e se encerram em 14 de junho, em Washington D.C. Depois das primárias, ocorre a campanha eleitoral e, na sequência, a eleição, marcada para 8 de novembro.
Vamos então ao início do processo. Como funcionam as primárias? Ao contrário do Brasil, onde a participação na decisão sobre qual será o candidato à presidência da República de cada partido é restrita, nos Estados Unidos ela envolve milhares e milhares de eleitores. Para eleger seus candidatos, o partido republicano e o partido democrata realizam eleições entre seus filiados em todos os estados americanos. A partipação popular é tão valorizada que em alguns estados mesmo os americanos não filiados aos partidos podem votar nas primárias. Ou seja, um eleitor que não é republicano pode votar na primária republicana em algumas regiões do país.
As primárias acontecem de forma escalonada, em dias diferentes, até junho. As datas são fixadas pelos estados e pelas direções dos partidos. Existe ainda a tradicional Super Tuesday. Uma terça-feira em que vários estados realizam primárias simultaneamente. A data é considerada crucial e, neste ano, acontece no dia 1º de março.
O processo eleitoral americano se preocupa em equilibrar a influência dos estados no rumo político da nação, de acordo com o número de habitantes que neles moram. Portanto, ganhar as primárias na Califórnia não tem o mesmo peso de sair vitorioso no Alaska.Entendeu? Pois agora complica um pouco. São feitas as eleições regionais, ok. Mas como é decidido o vencedor em nível nacional? A resposta não é simplesmente somar o número de estados em que cada candidato ganhou e ver quem levou mais estados. Ou fazer uma contagem total dos votos.
Como é feito esse cálculo, então? Cada estado tem direito a um determinado número de delegados. Esse número é definido principalmente pela população do estado — quanto mais gente, mais delegados. Porém, alguns estados podem ganhar delegados adicionais como um bônus, de acordo com certos critérios determinados pelos partidos. São esses delegados que votarão na convenção nacional de cada partido para definir quem será o candidato à presidência. No caso dos democratas, existem ainda os superdelegados — líderes do partido (Barack Obama e Bill Clinton são alguns deles) que podem votar em quem quiserem.
Neste ponto, há uma diferença bastante importante na maneira como democratas e republicanos fazem a escolha de seu candidato. No caso dos democratas, os delegados de cada estado são divididos proporcionalmente, de acordo com os resultados das primárias. O cálculo para se chegar a essa proporcionalidade é complexo. Mas, via de regra, ela fica muito próxima de um para um. Por exemplo: se Hillary Clinton receber 60% dos votos num estado e Bernie Sanders 40%, Hillary leva cerca de 60% dos delegados e Sanders, 40%. Se o estado tiver 10 delegados, Hillary ganha 6 e Sanders 4. O placar para a convenção nacional do partido democrata fica em 6x4.
No caso dos republicanos, as regras variam de estado para estado. Em alguns, aplica-se a mesma regra de proporcionalidade dos democratas. Em outros, o vencedor leva todos os delegados daquele estado. Há ainda sistemas híbridos, que misturam os dois tipos de regras.
Até o momento, Hillary Clinton lidera as pesquisas do partido democrata, enquanto Donald Trump é o principal nome da chapa rival, republicana. Mas a dupla precisará confirmar o favoritismo nas urnas. Pois que venham as primárias.









